quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Na Estrada

Segue o andarilho em cada trilho, cada calçada
Na esquina por onde passa deixa um rastro
Quem passa e fica nada sabe sobre quem anda
De onde veio, para onde vai e o que o faz caminhar

Conversa consigo mesmo tendo a lua e as estrelas
Como companhia de uma aparente longa jornada
E não demora muito para descobrir que nem sempre
O caminho mais seguro é o mais rápido

Seguro mesmo é ser montanha.
Somos humanos. Vento, terra, água e fogo

Anda pensando e chega reflexivo.
Seguir seu caminho dói no coração
Quando não há ninguém para seguir junto consigo
Mas mover-se é necessário.

É por isso que existe o andarilho.
Porque a estrada é sedutora
E o desejo de mudar, constante.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Contexto

Eu não quero te obrigar a nada
só quero o que você quiser de mim.
Sou um reflexo de nós dois,
espelho d'água na fonte,
em meus sonhos, um zahir.

Fui tomado pelo fogo da impulsividade,
meu corpo não obece meus comandos.
Sou dois seres habitando uma só matéria.
Pensamento e vida durante o dia,
Flúido e inércia olhando a rua pela janela.

E se minha energia atraia você,
minhas vibrações não escondem o desejo.
Minha pele só anseia o seu prazer
e meu ser, uma completa existência.

Sou, nesse momento, uma espera
como a fé do irmão que oferendeia.



Alexandre Henrique, 29 de setembro de 2011.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O que realmente importa

Não há caso nem descaso,
presente nem passado,
mar salgado ou congelado
que me faça esquecer o essencial.

Não há barreiras ou obstáculos,
estradas de terra ou asfalto,
barco à vela ou naufragado
que me faça esquecer o transcedental.

Não há mais beijo ou abraço,
coração solto ou apertado,
livro novo ou usado
que me faça esquecer o amor natural.

Ele é vivo e traz vida,
enche os campos de flores
na primavera, aquece de amor,
no verão, a mãe terra.
Sabe que quando algo dá sinais de cansaço
no outono, parece quase morto
no inverno, é porque chegará o tempo
de, na primavera, beijar a vida e dela receber seu abraço.

Minha vida é como as estações.
Há épocas de solstícios e equinócios,
para aflorar as roseiras
dos corações. Viver bem consigo é muito bonito.



Queria agradecer a Heleniza Saldanha pelas mensagens confortadoras e um texto maravilhoso que tirou qualquer mancha de dúvida sobre o que realmente importa. Foi daí que dei forma à ordem natural das palavras. Obrigado.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A suavidade do gesto

Tão delicado os sinais
que envia teu inconsciente
em cada movimento quente
de quem na manga esconde um ás.

Segue o gesto que anuncia
que hoje não queres ficar só
e ainda anseias bebida e pó
na calada da noite, calúnias e mentiras.

Vi o teu grito como Algaravias
e nessas estradas desérticas
minha alegria é ser mais que um poeta.

Teus gestos me convidam
que eu venha e entra em sua vida.
Irás deixar a porta aberta.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Aqui e agora

A estrada que cresci amando
me faz triste só de nela pensar.
Minhas raízes ainda não conseguiram se fixar
mas ser melancólico pede não mais prantos.

Sem lágrimas de amor, saudade, vazio
solidão, utopia, desilusão, desespero.
Cicatrizes mal curadas na pele em relevo
para tornar falsa a felicidade que anuncio.

Sei ser somente assim.
Amar intensamente
sem esperanças de conseguir.

Ainda queria que você estivesse aqui.
Em resumo do meu ser eu te digo:
nem conheço-te e sinto-me sozinho.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A mente desocupada, um tempo ocioso, um rascunho feito,

Eu, que hoje faço versos por prazer,
já os fiz várias vezes por amor.
Ainda há amor habitando
entre o espaço de cada palavra.

Eu, que já chorei sobre o caderno,
que já me alegrei com alguns vocábulos,
fico a admirar e cristalizar
torna sólido o fluído criativo da alma.

Cada verso é uma pérola
e eu só tenho colares, brincos e braceletes a oferecer.
Pobre da ostra, que perde sua paz.
Pobre do poeta, que nunca se satisfaz.

O incansável, imutável desejo de ser perfeito
nunca em plano material alcançado,
fardo tão pesado
para o verso que quer ser imortal.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pela estrada

Pelo caminho tortuoso
através dessa estrada deserta,
vai um viajante e sua mala.

Guiado pelas estrelas
com uma esperança inconsequente,
se lança na estrada e não mais deseja voltar.

Lá segue ele. Está conversando
com as estrelas, a lua, as pedras,
em todo elemento natural que lá está.

Pergunte a ele sobre cada
palmo daquele caminho. E ele responde:
Conheço tudo. Não deixei passar nada.

Queria ter um pouco desse viajante,
Sentir-se acompanhado até na mais densa solidão
aventurar-se sem medo do que o espera.
Queria ter um norte, por quem me lançaria nessa estrada.
Levar na mala não mais que meu nome
para ter alguem que vá
na minha ânfora chorar.
Quero ser como esse viajante
e minha estrada valerá a pena.

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