Não há caso nem descaso,
presente nem passado,
mar salgado ou congelado
que me faça esquecer o essencial.
Não há barreiras ou obstáculos,
estradas de terra ou asfalto,
barco à vela ou naufragado
que me faça esquecer o transcedental.
Não há mais beijo ou abraço,
coração solto ou apertado,
livro novo ou usado
que me faça esquecer o amor natural.
Ele é vivo e traz vida,
enche os campos de flores
na primavera, aquece de amor,
no verão, a mãe terra.
Sabe que quando algo dá sinais de cansaço
no outono, parece quase morto
no inverno, é porque chegará o tempo
de, na primavera, beijar a vida e dela receber seu abraço.
Minha vida é como as estações.
Há épocas de solstícios e equinócios,
para aflorar as roseiras
dos corações. Viver bem consigo é muito bonito.
Queria agradecer a Heleniza Saldanha pelas mensagens confortadoras e um texto maravilhoso que tirou qualquer mancha de dúvida sobre o que realmente importa. Foi daí que dei forma à ordem natural das palavras. Obrigado.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
A suavidade do gesto
Tão delicado os sinais
que envia teu inconsciente
em cada movimento quente
de quem na manga esconde um ás.
Segue o gesto que anuncia
que hoje não queres ficar só
e ainda anseias bebida e pó
na calada da noite, calúnias e mentiras.
Vi o teu grito como Algaravias
e nessas estradas desérticas
minha alegria é ser mais que um poeta.
Teus gestos me convidam
que eu venha e entra em sua vida.
Irás deixar a porta aberta.
que envia teu inconsciente
em cada movimento quente
de quem na manga esconde um ás.
Segue o gesto que anuncia
que hoje não queres ficar só
e ainda anseias bebida e pó
na calada da noite, calúnias e mentiras.
Vi o teu grito como Algaravias
e nessas estradas desérticas
minha alegria é ser mais que um poeta.
Teus gestos me convidam
que eu venha e entra em sua vida.
Irás deixar a porta aberta.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Aqui e agora
A estrada que cresci amando
me faz triste só de nela pensar.
Minhas raízes ainda não conseguiram se fixar
mas ser melancólico pede não mais prantos.
Sem lágrimas de amor, saudade, vazio
solidão, utopia, desilusão, desespero.
Cicatrizes mal curadas na pele em relevo
para tornar falsa a felicidade que anuncio.
Sei ser somente assim.
Amar intensamente
sem esperanças de conseguir.
Ainda queria que você estivesse aqui.
Em resumo do meu ser eu te digo:
nem conheço-te e sinto-me sozinho.
me faz triste só de nela pensar.
Minhas raízes ainda não conseguiram se fixar
mas ser melancólico pede não mais prantos.
Sem lágrimas de amor, saudade, vazio
solidão, utopia, desilusão, desespero.
Cicatrizes mal curadas na pele em relevo
para tornar falsa a felicidade que anuncio.
Sei ser somente assim.
Amar intensamente
sem esperanças de conseguir.
Ainda queria que você estivesse aqui.
Em resumo do meu ser eu te digo:
nem conheço-te e sinto-me sozinho.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
A mente desocupada, um tempo ocioso, um rascunho feito,
Eu, que hoje faço versos por prazer,
já os fiz várias vezes por amor.
Ainda há amor habitando
entre o espaço de cada palavra.
Eu, que já chorei sobre o caderno,
que já me alegrei com alguns vocábulos,
fico a admirar e cristalizar
torna sólido o fluído criativo da alma.
Cada verso é uma pérola
e eu só tenho colares, brincos e braceletes a oferecer.
Pobre da ostra, que perde sua paz.
Pobre do poeta, que nunca se satisfaz.
O incansável, imutável desejo de ser perfeito
nunca em plano material alcançado,
fardo tão pesado
para o verso que quer ser imortal.
já os fiz várias vezes por amor.
Ainda há amor habitando
entre o espaço de cada palavra.
Eu, que já chorei sobre o caderno,
que já me alegrei com alguns vocábulos,
fico a admirar e cristalizar
torna sólido o fluído criativo da alma.
Cada verso é uma pérola
e eu só tenho colares, brincos e braceletes a oferecer.
Pobre da ostra, que perde sua paz.
Pobre do poeta, que nunca se satisfaz.
O incansável, imutável desejo de ser perfeito
nunca em plano material alcançado,
fardo tão pesado
para o verso que quer ser imortal.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Pela estrada
Pelo caminho tortuoso
através dessa estrada deserta,
vai um viajante e sua mala.
Guiado pelas estrelas
com uma esperança inconsequente,
se lança na estrada e não mais deseja voltar.
Lá segue ele. Está conversando
com as estrelas, a lua, as pedras,
em todo elemento natural que lá está.
Pergunte a ele sobre cada
palmo daquele caminho. E ele responde:
Conheço tudo. Não deixei passar nada.
Queria ter um pouco desse viajante,
Sentir-se acompanhado até na mais densa solidão
aventurar-se sem medo do que o espera.
Queria ter um norte, por quem me lançaria nessa estrada.
Levar na mala não mais que meu nome
para ter alguem que vá
na minha ânfora chorar.
Quero ser como esse viajante
e minha estrada valerá a pena.
através dessa estrada deserta,
vai um viajante e sua mala.
Guiado pelas estrelas
com uma esperança inconsequente,
se lança na estrada e não mais deseja voltar.
Lá segue ele. Está conversando
com as estrelas, a lua, as pedras,
em todo elemento natural que lá está.
Pergunte a ele sobre cada
palmo daquele caminho. E ele responde:
Conheço tudo. Não deixei passar nada.
Queria ter um pouco desse viajante,
Sentir-se acompanhado até na mais densa solidão
aventurar-se sem medo do que o espera.
Queria ter um norte, por quem me lançaria nessa estrada.
Levar na mala não mais que meu nome
para ter alguem que vá
na minha ânfora chorar.
Quero ser como esse viajante
e minha estrada valerá a pena.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Prisão do corpo
Neste plano, talvez, não sei,
onde o corpo é casa do prazer
podado pelas arestas da mente,
estás a seguir tua vida.
Neste palco, talvez, eu sei
que aquele poeta por trás da voz
que canta, transcende a mente
e torna certo o que pode não ser
Nestes versos, eu sei, você também,
há apenas uma máscara
doce e frágil do ser
que por emoção não para.
Neste morada, eu sei, irei
trascender o plano físico
e em etéria matéria
ser seu, amante ou amigo.
Neste trajeto, eu sei, eu sei,
o fio de prata que me prende
e o consciente que me guia
não podem trazer você
Neste corpo, eu sei, eu sinto,
que aqui onde estou
nada posso ter de você
Noutra realidade, eu sei,
que posso chegar a você.
Qual consciente pode ajudar
a chegar até você?
onde o corpo é casa do prazer
podado pelas arestas da mente,
estás a seguir tua vida.
Neste palco, talvez, eu sei
que aquele poeta por trás da voz
que canta, transcende a mente
e torna certo o que pode não ser
Nestes versos, eu sei, você também,
há apenas uma máscara
doce e frágil do ser
que por emoção não para.
Neste morada, eu sei, irei
trascender o plano físico
e em etéria matéria
ser seu, amante ou amigo.
Neste trajeto, eu sei, eu sei,
o fio de prata que me prende
e o consciente que me guia
não podem trazer você
Neste corpo, eu sei, eu sinto,
que aqui onde estou
nada posso ter de você
Noutra realidade, eu sei,
que posso chegar a você.
Qual consciente pode ajudar
a chegar até você?
sábado, 25 de junho de 2011
Abraço de um velho conhecido
E esse grito sufocado
dando sinais de dor existente
continua preso na garganta.
olho para o lado. Por mais que eu tente, não adianta.
Paro um momento.
Talvez a calma revele algo.
Mas minha voz clama por liberdade,
meu corpo expressa em vagos atos sua ansiedade.
E essa dor que aqui lateja
lá, onde existia um coração
agora envolto numa carapaça
pedra bruta, longe da emoção.
E o fantasma de minhas encarnações
passadas, vem sem disfarce
pronto para entristecer essa face.
E agora, vos apresento, solidão, mas não entristeça mais
esse teu velho conhecido.
dando sinais de dor existente
continua preso na garganta.
olho para o lado. Por mais que eu tente, não adianta.
Paro um momento.
Talvez a calma revele algo.
Mas minha voz clama por liberdade,
meu corpo expressa em vagos atos sua ansiedade.
E essa dor que aqui lateja
lá, onde existia um coração
agora envolto numa carapaça
pedra bruta, longe da emoção.
E o fantasma de minhas encarnações
passadas, vem sem disfarce
pronto para entristecer essa face.
E agora, vos apresento, solidão, mas não entristeça mais
esse teu velho conhecido.
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