sexta-feira, 15 de julho de 2011

A suavidade do gesto

Tão delicado os sinais
que envia teu inconsciente
em cada movimento quente
de quem na manga esconde um ás.

Segue o gesto que anuncia
que hoje não queres ficar só
e ainda anseias bebida e pó
na calada da noite, calúnias e mentiras.

Vi o teu grito como Algaravias
e nessas estradas desérticas
minha alegria é ser mais que um poeta.

Teus gestos me convidam
que eu venha e entra em sua vida.
Irás deixar a porta aberta.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Aqui e agora

A estrada que cresci amando
me faz triste só de nela pensar.
Minhas raízes ainda não conseguiram se fixar
mas ser melancólico pede não mais prantos.

Sem lágrimas de amor, saudade, vazio
solidão, utopia, desilusão, desespero.
Cicatrizes mal curadas na pele em relevo
para tornar falsa a felicidade que anuncio.

Sei ser somente assim.
Amar intensamente
sem esperanças de conseguir.

Ainda queria que você estivesse aqui.
Em resumo do meu ser eu te digo:
nem conheço-te e sinto-me sozinho.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A mente desocupada, um tempo ocioso, um rascunho feito,

Eu, que hoje faço versos por prazer,
já os fiz várias vezes por amor.
Ainda há amor habitando
entre o espaço de cada palavra.

Eu, que já chorei sobre o caderno,
que já me alegrei com alguns vocábulos,
fico a admirar e cristalizar
torna sólido o fluído criativo da alma.

Cada verso é uma pérola
e eu só tenho colares, brincos e braceletes a oferecer.
Pobre da ostra, que perde sua paz.
Pobre do poeta, que nunca se satisfaz.

O incansável, imutável desejo de ser perfeito
nunca em plano material alcançado,
fardo tão pesado
para o verso que quer ser imortal.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pela estrada

Pelo caminho tortuoso
através dessa estrada deserta,
vai um viajante e sua mala.

Guiado pelas estrelas
com uma esperança inconsequente,
se lança na estrada e não mais deseja voltar.

Lá segue ele. Está conversando
com as estrelas, a lua, as pedras,
em todo elemento natural que lá está.

Pergunte a ele sobre cada
palmo daquele caminho. E ele responde:
Conheço tudo. Não deixei passar nada.

Queria ter um pouco desse viajante,
Sentir-se acompanhado até na mais densa solidão
aventurar-se sem medo do que o espera.
Queria ter um norte, por quem me lançaria nessa estrada.
Levar na mala não mais que meu nome
para ter alguem que vá
na minha ânfora chorar.
Quero ser como esse viajante
e minha estrada valerá a pena.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Prisão do corpo

Neste plano, talvez, não sei,
onde o corpo é casa do prazer
podado pelas arestas da mente,
estás a seguir tua vida.

Neste palco, talvez, eu sei
que aquele poeta por trás da voz
que canta, transcende a mente
e torna certo o que pode não ser

Nestes versos, eu sei, você também,
há apenas uma máscara
doce e frágil do ser
que por emoção não para.

Neste morada, eu sei, irei
trascender o plano físico
e em etéria matéria
ser seu, amante ou amigo.

Neste trajeto, eu sei, eu sei,
o fio de prata que me prende
e o consciente que me guia
não podem trazer você

Neste corpo, eu sei, eu sinto,
que aqui onde estou
nada posso ter de você

Noutra realidade, eu sei,
que posso chegar a você.
Qual consciente pode ajudar
a chegar até você?

sábado, 25 de junho de 2011

Abraço de um velho conhecido

E esse grito sufocado
dando sinais de dor existente
continua preso na garganta.
olho para o lado. Por mais que eu tente, não adianta.

Paro um momento.
Talvez a calma revele algo.
Mas minha voz clama por liberdade,
meu corpo expressa em vagos atos sua ansiedade.

E essa dor que aqui lateja
lá, onde existia um coração
agora envolto numa carapaça
pedra bruta, longe da emoção.

E o fantasma de minhas encarnações
passadas, vem sem disfarce
pronto para entristecer essa face.
E agora, vos apresento, solidão, mas não entristeça mais
esse teu velho conhecido.

domingo, 12 de junho de 2011

Devaneio

Se eu pudesse e acontecessem as fantasias
que sonha meu ser, não seria tão só. Talvez.
Se acontecesse e você viesse, não sei,
um sol surgiria e não mais seriam
noites escuras como um nublado dia.

Giro o mundo com o amor de um andarilho
sem sair do lugar meu ser viaja
e te encontra na cachoeira, com um sorriso
largo. Não no lago, te espero. Mas na curva
sinuosa da cidade onde agora moras.

Se a poesia se acaba e sem mensagem ela fica
é porque no interior do seu poeta, não mais existe
quem ele deseja. Seu vazia grita oco, moco, mudo.
Seu amor agora habita, protegido pela santa
que cuida dos olhos. Quem dera se os seus repousassem em mim.

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