terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Filho do Éter

Cresce vindo do éter
algo intocável, incomensurável
algo que muda o eixo
até que deixo outro elo inquebrável.

Não me refiro ao que acontece
em um mundo físico
de sensações limitadas
pelo ser ou não é mais.

Quero que venha desimpedido
disposto
assim como eu.

Quero que venha do jeito é
alegre
quem dera eu.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Poema Indigente Nº 2

Livre como o verso
que não pede para nascer
Simplesmente chega e abraça
a branca folha com ideias vagas.

Na Caixa de Pandora não há águas
só a longa e isolada estrada
e cada passo semeando saber
sendo errado ou certo.

Beira o cérebro
um longo arrepio de prazer
subindo pelo corpo ainda em brasa
faz a matéria correr e pular em tuas marés rasas

Seja livre como o verso
Sou objeto do seu longo prazer
Sei esquentar todas as mínimas brasas
para nossos corpos em fogueira tornar ao nada.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Aprendiz

Não me arrependo de cada verso
de cada dia do inverno
que vivia eu com livros lendo
linhas saindo e lágrimas ao avesso

Só me resta tirar o fruto
de um momento um suco
que não se quer beber muito
eu só quero o amor absoluto

Sei que a vida não é fácil
mas é só um passo para ser feliz.
Eu sou e sempre serei um aprendiz.

Aprendi com os discos, revistas e livros
pessoas, pais e filhos
homens, mulheres e bichos
que o ser é a utopia de estar vivo.

Se as escolhas foram certas
o objetivo miro de flecha
a vida inteira como porta aberta
para arrancarem um coração e plantar lá uma pedra

Me disseram que a vida não é fácil
mas é só um passo para ser feliz
Não sou mais nada a não ser um aprendiz.

Se a existência desabrocha em flor
pulsa no peito a tenra dor
em sortimento de cor
ser aquela pena que não serve para compor

Gira a roda da fortuna, vira a mesa
Hoje os olhos vêem beleza
por trás do que a natureza
tratou de jogar pele por cima de toda pureza

Vi sorrisos, saltos, gritos
um abraço amigo desenhado à giz
Eu sou e sempre serei um aprendiz.
Sei que a vida não é fácil
mas só um abraço pode me deixar feliz.
Levanto a bandeira e grito: Sou um eterno aprendiz.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Poemas para o corpo - Trajetória

Corre a língua em todo corpo
percorre um arrepio que vem subindo
Pulsa e pulsa desejo pulsante
dentro do oco vindo no ser viajente.

Sou só um estranho em sentimentos
desses com a voz rouca de bebida
e alucinado corre a língua em corpo alheio
pensamento instiga a andar nos fins e meios

Uma gota de suor percorre cada curva
Faz meus olhos virarem e ver somente somente um nada
projetando imagens, delírios, vestígios de existências anteriores
E assim meu corpo experimenta uma chuva
Um poema história brota como olho d'água
Um poeta sofre desilusões e desamores.

domingo, 27 de novembro de 2011

Duo

Olha no espelho um rosto maltratado
desiludido, desprezado, depressivo
Vive uma vida ilusória
de glória, luxo e luxúria.

Apresenta o passado num cartão de visita
tira a vista de quem ama
veste chita como se fosse das sedas a mais fina

Simplório e inglório, num invólucro permeável
E um gesto singelo de espasmo e sarcasmo
Imita o Erasmo e faz da sala um palco.

Assim sai. Sem dizer nada.
Ninguém o vê nem ouve. Habita em mim
e conta histórias. Não chega na hora
nem dorme cedo. Pula a faixa e abre o berreiro.

sábado, 5 de novembro de 2011

Poema Indigente N° 1

Vim buscar o que sempre foi meu
O que me atraiu, o grito de socorro
De um objeto ser vivo, viajante
Perdido nos devaneios dos seus suspiros.

Nos labirintos míticos do seu eu
Minha voz suave corre como um calafrio
Levando meus pudores aos ouvidos
E a boca responde em mil desejos proibidos.

Involuntário ato natural, penso eu em corpo e alma
Sou animal assim como ser humano

Voluntário ato racional, ajo eu sem razão
Pensar em alguém na labuta ou no ócio
Abra os abraços e me receba.
Vim buscar o que é meu e você afanou.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Na Estrada

Segue o andarilho em cada trilho, cada calçada
Na esquina por onde passa deixa um rastro
Quem passa e fica nada sabe sobre quem anda
De onde veio, para onde vai e o que o faz caminhar

Conversa consigo mesmo tendo a lua e as estrelas
Como companhia de uma aparente longa jornada
E não demora muito para descobrir que nem sempre
O caminho mais seguro é o mais rápido

Seguro mesmo é ser montanha.
Somos humanos. Vento, terra, água e fogo

Anda pensando e chega reflexivo.
Seguir seu caminho dói no coração
Quando não há ninguém para seguir junto consigo
Mas mover-se é necessário.

É por isso que existe o andarilho.
Porque a estrada é sedutora
E o desejo de mudar, constante.

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